segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

OS DIFERENTES TIPOS DE DESENCARNAÇÃO





por Gustavo Martins

|Introducao | Reencarnação | Tempo de Vida |
|Equipes de Desligamento | O Desligamento | As Sensações | Nova Vida Para os que Buscaram a Luz |
|Suicidas | Assassinos e Caluniadores | Seres Altamente Evoluídos | Médiuns | Viciados | Apego ao Corpo |
| Influências Externas| Conselhos | Formas de Desencarne | Animais | Após o Desencarne | Cemitério |
|Locais para onde são Levados |
Influências Externas


Durante o Desencarne

A principal dificuldade do recém-desencarnado é a adaptação ao impacto das energias astrais, o choque é muito forte e pensamentos e emoções dele ou de pessoas próximas o atingem com facilidade.

Essa fragilidade faz com que os irmãos que ficam aqui na Terra tenham grande importância na ajuda aos que voltam para o plano espiritual.

A fragilidade do espírito é maior até o momento em que o cordão de prata é rompido, e, infelizmente esse é o período de maior emissão de sofrimento pelos irmãos encarnados. Através desse último laço de união eles podem receber os choques desagradáveis das lembranças e das emanações de sofrimento dos que se encontram encarnados.

Além disso, muitos falam mal dos que se foram, relembrando acontecimentos de sua vida.

Essa é A PIOR POSTURA que qualquer um pode ter, se não tiver o que falar, FIQUE QUIETO, mas não fale sobre assuntos de baixo padrão vibratório, PRINCIPALMENTE se envolve o moribundo.
Duas coisas acontecem quando os INVIGILANTES decidem fazer a sua parte.

A primeira é o incômodo que começa a ser sentido pelo espírito, que mesmo quando possui merecimento para auxílio, não está isento das energias hostis enviadas pelos seus irmãos.

A segunda é a atração de espíritos de baixo padrão vibratório envolvidos nas conversas, que podem vir pedir perdão ou cobrar pelo erro do moribundo. Qualquer uma das opções é prejudicial para quem está preste a se libertar.

Sobre esse tema retiramos o seguinte trecho do livro Obreiros da Vida Eterna:

"As imagens contidas nas evocações das palestras incidem sobre a mente do desencarnado, mantido em repouso depois de rápido mergulho na contemplação dos fatos alusivos à existência finda. Não somente as imagens. Por vezes, nossos amigos presentes, fecundos nas conversações sem proveito. exumem, com tamanho calor, a lembrança de certos fatos, que trazem até aqui alguns dos protagonistas já desencarnados."

A melhor postura durante o desencarne é a prece, o silêncio e assuntos que não comprometam o padrão vibratório do ambiente.



Após o Desencarne

Após o desencarne o espírito também fica suscetível às vibrações dos familiares. Quando estes, em desequilíbrio, ficam chamando por ele, ocorre uma atração muito forte e o espírito recebe esse impacto de forma violenta, porque ainda está em período de adaptação.

Diferente do que muitos pensam, se o espírito recém-liberto voltar para o lar ele sofrerá junto com os familiares e de forma inconsciente se tornará obsessor dos seus entes queridos. Nos casos de doença pode até acontecer de um dos encarnados começar a sentir as dores que o moribundo sofria. Nesse caso ele se torna obsessor.

Retiramos o seguinte trecho do livro Voltei para exemplificar:

"... bastou que me entregasse à quietação para que certo fenômeno auditivo e visual me perturbasse as fibras mais íntimas.

Vi perfeitamente, qual se estivessem dentro de mim, as filhas queridas, então na Terra, e alguns poucos amigos, que deixara no mundo, dirigindo-me palavras de saudade e carinho.

- Pai querido! Diga-me se você ainda vive! Desfaça minhas dúvidas, ensine-me o caminho, venha até mim!

Era a voz de uma delas a interpelar-me.

O amoroso chamamento ameaça-me o equilíbrio. Minha razão periclitou por segundos. Onde me encontrava? Contemplava-a ao meu lado, queria beijar-lhe as mãos, expressando-lhe reconhecimento pela imensa ternura, mas debalde a buscava.

Ainda me não desembaraçara do inolvidável momento de estranheza, quando um médium de minhas relações apareceu igualmente no quadro.

- Meu amigo! Fale-nos, conforte-nos!.. – rogou comovidamente.

Ia gritar, suplicando socorro. Todavia, o Irmão Andrade, mais prestativo e prudente que eu poderia supor, abeirou-se de mim e cientificou-me de que aquele era fenômeno da sintonia espiritual, comum a todos os recém-desencarnados que deixam laços de coração, na retaguarda....

... asseverou que, aos poucos, saberia controlar o fenômeno das solicitações terrestres, canalizando-lhes as possibilidades para trabalho de elevação."



Conselhos Para quem Perdeu Recentemente Pessoas Próximas

Como foi falado no item Após o Desencarne, o espírito que desencarna sofre inicialmente o impacto dos pensamentos e emoções dos encarnados que estavam ligados a ele. Tanto os pensamentos de revolta e vingança quanto os de angústia e saudade chegam até ele.

Após algum tempo desencarnado ele aprende a lidar com essas vibrações.

O nosso conselho para quem perdeu alguém que ama é rezar por ele, pedindo ao Pai que o proteja e ampare onde ele estiver, PRONTO, SÓ ISSO e CHEGA!!

Aprendamos a acreditar REALMENTE na vida e eterna e na reencarnação, pois que nosso desequilíbrio traz sofrimento para aquele que amamos.

Dependendo do grau de evolução do espírito ele poderá voltar a visitar seus familiares na terra, assim que se restabelecer.

Existem Centros, como o que freqüento (Fraternidade Francisco de Assis, Casa de Bezerra de Menezes, Irajá – RJ) que realizam reuniões de preces para os desencarnados.


Formas de Desencarne

Desencarne em Acidentes e Coletivo

"... Salvo nos casos de desastres ou mortes violentas, em que a intervenção dos técnicos assistentes se registra só depois da morte do corpo, as demais desencarnações devem se subordinar gradativamente a várias operações liberatórias, em diversas etapas, como tenho observado nas oportunidades que me foram dadas para apreciar o fenômeno."
A vida Além da Sepultura, pelo Médium Hercílio Maes, ditado por Atanagildo e Ramatís.

A grande maioria dos desencarnes por acidentes são resgates do espírito, não podemos englobar todos os desencarnes, mas podemos garantir que em sua maioria tinham uma “grande chance” de ocorrer com o espírito que desencarnou.

Na minha opinião, e isso eu não li em lugar algum, os desencarnes coletivos são resgates cármicos para o grupo de pessoas que participa de uma tragédia, elas não participaram necessariamente do mesmo erro, contudo, partilham da mesma dor e sofrimento para saldar suas dívidas com a Justiça Divina, que a ninguém prejudica.

Segue abaixo um trecho do livro Ação e Reação, de Francisco Candido Xavier.

" Sob a crista de serra alcantilada e selvagem, destroços de grande aeronave guardavam consigo as vítimas do acidente. Adivinhava-se que o piloto, certamente enganado pelo traiçoeiro oceano de espessa bruma, não pudera evitar o choque com os picos graníticos que se salientavam na montanha, silenciosos e implacáveis, à maneira de medonhos torreões de fortaleza agressiva.

Em pleno quadro inquietante, um ancião desencarnado, de semblante nobre e digno, formulava requerimento comovedor, rogando à Mansão a remessa de equipe adestrada para a remoção de seis das catorze entidades desencarnadas no doloroso sinistro.
...
Cientes de que o generoso mentor poderia dispensar-nos mais tempo, aproveitamos o ensejo para versar a questão das provas coletivas.

Hilário abriu campo livre ao debate, perguntando, respeitoso, por que motivo era rogado o auxílio para a remoção de seis dos desencarnados, quando as vítimas eram catorze.

Druso, no entanto, replicou em tom sereno e firme:
- O socorro no avião sinistrado é distribuído indistintamente, contudo, não podemos esquecer que se o desastre é o mesmo para todos os que tombaram, a morte é diferente para cada um. No momento serão retirados da carne tão-somente aqueles cuja vida interior lhes outorga a imediata liberação. Quanto aos outros, cuja situação presente não lhes favorece o afastamento rápido da armadura física, permanecerão ligados, por mais tempo, aos despojos que lhes dizem respeito.


- Quantos dias? - clamou meu colega, incapaz de conter a emoção de que se via possuído.

- Depende do grau de animalização dos fluidos que lhes retêm o Espírito à atividade corpórea - respondeu-nos o mentor. - Alguns serão detidos por algumas horas, outros, talvez, por longos dias... Quem sabe? Corpo inerte nem sempre significa libertação da alma. O gênero de vida que alimentamos no estágio físico dita as verdadeiras condições de nossa morte. Quanto mais chafurdamos o ser nas correntes de baixas ilusões, mais tempo gastamos para esgotar as energias vitais que nos aprisionam à matéria pesada e primitiva de que se nos constitui a instrumentação fisiológica, demorando-nos nas criações mentais inferiores a que nos ajustamos, nelas encontrando combustível para dilatados enganos nas sombras do campo carnal, propriamente considerado. E quanto mais nos submetamos às disciplinas do espírito, que nos aconselham equilíbrio e sublimação, mais amplas facilidades conquistaremos para a exoneração da carne em quaisquer emergências de que não possamos fugir por força dos débitos contraídos perante a Lei. Assim é que "morte física" não é o mesmo que "emancipação espiritual".

- Isso, no entanto - considerei -, não quer dizer que os demais companheiros acidentados estarão sem assistência, embora coagidos a temporária detenção nos próprios restos.

- De modo algum - ajuntou o amigo generoso -, ninguém vive desamparado. O amor infinito de Deus abrange o Universo. Os irmãos que se demoram enredados em mais baixo teor de experiência física compreenderão, gradativamente, o socorro que se mostram capazes de receber.

- Todavia - reparou Hilário -, não serão atraídos por criaturas desencarnadas, de inteligência perversa, já que não podem ser resguardados de imediato?

Druso estampou significativa expressão facial e ponderou:
- Sim, na hipótese de serem surdos ao bem, é possível se rendam às sugestões do mal, a fim de que, pelos tormentos do mal, se voltem para o bem. No assunto,

entretanto, é preciso considerar que a tentação é sempre uma sombra a atormentar-nos a vida, de dentro para fora. A junção de nossas almas com os poderes infernais verifica-se em relação com o inferno que já trazemos dentro de nós.
A explicação não poderia ser mais clara.”

Temos outro trecho que mostra do compromisso assumido pelos espíritos que seriam vítimas de acidentes:

" ...suplicaram, ao revés, o retorno ao campo dos homens, no qual acabam de pagar o débito a que aludimos.
- Como? - indagou Hilário, intrigado.
- Já que podiam escolher o gênero de provação, em vista dos recursos morais amealhados no mundo íntimo - informou o orientador -, optaram por tarefas no campo da aeronáutica, a cuja evolução ofereceram as suas vidas. Há dois meses regressaram às nossas linhas de ação, depois de haverem sofrido a mesma queda mortal que infligiram aos companheiros de luta no século XV.

- E o nosso caro instrutor visitou-os nos preparativos da reencarnação agora terminada? - inquiri com respeito.

- Sim, por várias vezes os avistei, antes da partida. Associavam-se a grande comunidade de Espíritos amigos, em departamento específico de reencarnação, no qual centenas de entidades, com dívidas mais ou menos semelhantes às deles, também se preparavam para o retorno á carne, abraçando, assim, trabalho redentor em resgates coletivos.

- E todos podiam selecionar o gênero de luta em que saldariam as suas contas? - perguntei, ainda, com natural interesse.

- Nem todos - disse Druso, convicto. – Aqueles que possuíam grandes créditos morais, qual acontecia aos benfeitores a que me reporto, dispunham desse direito.

Assim é que a muitos vi, habilitando-se para sofrer a morte violenta, em favor do progresso da aeronáutica e da engenharia, da navegação marítima e dos transportes terrestres, da ciência médica e da indústria em geral, verificando, no entanto, que a maioria, por força dos débitos contraídos e consoante os ditames da própria consciência, não alcançava semelhante prerrogativa, cabendo-lhe aceitar sem discutir amargas provas, na infância, na mocidade ou na velhice, através de acidentes diversos, desde a mutilação primária até a morte, de modo a redimir-se de faltas graves.”


Desencarne por Doença

Diferentemente do que muitos pensam, o desencarne por doença, em alguns casos, é uma benção, que auxilia ao espírito repensar sua vida, perdoar e pedir para ser perdoado, ocorrendo até reconciliação entre desafetos.

Existem também espíritos que expurgam suas energias deletérias durante o período que fica hospitalizado, limpando seu organismo perispiritual das toxinas adquiridas pelo vício ou desregramento.

Impossibilitado de exercer seu vício ou desregramento, as energias deletérias que estavam aderidadas ao veículo etérico e astral são drenadas e se o espírito sabe aproveitar esses momentos finais para se reequilibrar, ele parte para o plano espiritual sem ter que expurgar as energias deletérias em zonas inferiores do Plano Astral.

Contudo, nada adianta se o paciente passa todo o tempo final da sua vida em estado de revolta e agonia, aliás, ele pode nesse caso piorar a sua situação.

Retiramos o trecho abaixo do livro Missionários da Luz, de Francisco Cândido Xavier:

" ... Raramente os companheiros encarnados, quando em excelentes condições de saúde física, podem compreender as aflições dos enfermos em posição desesperadora ou dos moribundos prestes a partir. Nós outros, porém, no quadro de realidades mais fortes, sabemos que, muitas vezes, é possível efetuar realizações deveras sublimes, de natureza espiritual, em poucos dias, nessas circunstâncias, depois de largos anos de atividades inúteis. No leito da morte, as criaturas são mais humanas e mais dóceis.

Dir-se-ia que a moléstia intransigente enfraquece os instintos mais baixos, atenua as labaredas mais vivas das paixões inferiores, desanimaliza a alma, abrindo-lhe, em torno, interstícios abençoados por onde penetra infinita luz. E a dor vai derrubando as pesadas muralhas da indiferença, do egoísmo cristalizado e do amor-próprio excessivo. Então, é possível o grande entendimento. Lições admiráveis felicitam a criatura que, palidamente embora, percebe a grandeza da herança divina. Acentua-se-lhe o heroísmo e gravam-se-lhe no coração, para sempre, mensagens vivas de amor e sabedoria. Na noite espessa da agonia começa a brilhar a aurora da vida eterna. E aos seus clarões indistintos, nossos princípios são facilmente aceitos, a sensibilidade demonstra características sublimes e a luz imortal lança fontes de infinito poder nos recessos do espírito."


O desencarne por doenças faz com que amigos e familiares partilhem do sofrimento do agonizante e estes por sua vez, “magnetizam” o ambiente do doente com energias que o “ajudam” a continuar vivo. Esse tipo de apego atrapalha a equipe espiritual responsável pelo desenlace. É por esse motivo que muitos instrutores espirituais insuflam energias no paciente para que ele tenha uma “falsa” melhora, atenuando o ambiente carregado e permitindo a muitos que fazem a vigília o descanso.

Vibremos pelo agonizante nas vibrações puras da fé no Criador, que ao buscar um filho querido não traz o sofrimento e sim a libertação.


Desencarne de Crianças


No plano espiritual existem equipes especializadas no tratamento de crianças recém-desencarnadas. Institutos são criados para que os pequeninos sejam amparados.

Após o desencarne várias coisas podem acontecer às crianças:


Caso seja um espírito evoluído ele pode rapidamente adquirir sua forma anterior, se assim desejar. Alguns espíritos encarnam somente para unir uma família ou para queimar pequenos resquícios de Karma.


Espíritos medianos geralmente mantém a sua forma infantil, e conforme estudam e se aprimoram recebem algumas responsabilidades, como por exemplo monitorar outras crianças das instituições ou atuar junto as crianças encarnadas em instituições de socorro, auxiliar voluntários em orfanatos, etc.

Espíritos de crianças que desencarnaram cedo como resgate de ações de vidas anteriores PODEM não se recuperar totalmente do choque, sendo necessário realizarem tratamentos magnéticos e assim que tiverem uma melhora voltam ao plano físico, algumas vezes voltam na mesma família que deixaram, não sendo isso de forma alguma uma regra.

Na Umbanda existe a falange de Yori, onde as crianças se vinculam, atuando em reuniões, ajudando, amparando e conversando. Elas trazem a palavra inocente, o conselho simples, o pensamento sem maldade, que muitas vezes ajuda os irmãos encarnados a refletirem.

Os médiuns da Umbanda "incorporam" (psicofonia) as crianças assim como fazem com caboclos e pretos-velhos.

As crianças geralmente acompanham os pretos-velhos nas sessões de Umbanda. Elas geralmente se vinculam a diferentes linhas, como por exemplo a Mariazinha da Praia (energias do Mar - Yemanjá), Caboclinhos da Mata (energias da Natureza – Oxossi) .


Visita das Mães aos Filhos Desencarnados


As instituições, com o Lar de Bênçãos (citado no livro Entre a Terra e o Céu, de Francisco Cândido Xavier), recebem visitas periódicas das mães que perderam os seus filhos. Durante o sono físico elas são levadas por espíritos amigos até os filhos. Esse tipo de contato é importante para o filho e para a mãe.

Quando Desperta ela não lembre exatamente do que ocorreu, contudo, a lembrança do filho e a sensação de que ele está bem fica viva em sua memória.

É importe lembrar que nem todas as crianças desencarnadas podem ser visitadas e que nem todas as mães estão aptas a visitar o filho, cada caso é um caso.

Segue o trecho do livro Entre a Terra e o Céu, de Francisco Candido Xavier, que fala sobre o assunto abordado:
" É o Lar da Bênção — informou o instrutor, satisfeito. — Nesta hora, muitas irmãs da Terra chegam em visita a filhinhos desencarnados. Temos aqui importante colônia educativa, misto de escola de mães e domicílio dos pequeninos que regressam da esfera carnal."


Desencarne de Animais

No livro Evolução em dois Mudos, de Francisco Candido Xavier encontramos o seguinte trecho:

" Em relação ao homem, os mamíferos que se ligam a nós outros por extremos laços de parentesco, em se desencarnando, agregam-se aos ninhos em que se lhes desenvolvem os companheiros e, qual ocorre entre os animais inferiores, nas múltiplas faixas evolutivas em que se escalonam, não possuem pensamento contínuo para a obtenção de meios destinados à manutenção de nova forma.

Encontram-se, desse modo, aquém da histogênese espiritual, inabilitados a mais amplo equilíbrio que lhes asseguraria ascensão a novo plano de consciência.

Em razão disso, efetuada a histólise dos tecidos celulares, nos sucessos recônditos da morte física, dilata-se-lhes o período de vida latente, na esfera espiritual, onde, com exceção de raras espécies, se demoram por tempo curto, incapazes de manobrar os órgãos do aparelho psicossomático que lhes é característico, por ausência de substância mental consciente.

Quando não se fazem aproveitados na Espiritualidade, em serviço ao qual se filiam durante certa quota de tempo, caem, quase sempre de imediato à morte do corpo carnal, em pesada letargia, semelhante à hibernação, acabando automaticamente atraídos para o campo genésico das famílias a que se ajustam, retomando o organismo com que se confiarão a nova etapa de experiência, com os ascendentes do automatismo e do instinto que já se lhes fixaram no ser, e sofrendo, naturalmente, o preço hipotecável aos valores decisivos da evolução."

E sobre a sua vida no Plano Astral também encontramos no mesmo livro o seguinte trecho:

" Na moradia de continuidade para a qual se transfere, encontra, pois, o homem as mesmas leis de gravitação que controlam a Terra, com os dias e as noites marcando a conta do tempo, embora os rigores das estações estejam suprimidos pelos fatores de ambiente que asseguram a harmonia da Natureza, estabelecendo clima quase constante e quase uniforme, como se os equinóceos e solstíceos entrelaçassem as próprias forças, retificando automaticamente os excessos de influenciação com que se dividem.

Plantas e animais domesticados pela inteligência humana, durante milênios, podem ser aí aclimatados e aprimorados, por determinados períodos de existência, ao fim dos quais regressam aos seus núcleos de origem no solo terrestre, para que avancem na romagem evolutiva, compensados com valiosas aquisições de acrisolamento, pelas quais auxiliam a flora e a fauna habituais à Terra, com os benefícios das chamadas mutações espontâneas.

As plantas, pela configuração celular mais simples, atendem, no plano extrafísico, à reprodução limitada, aí deixando descendentes que, mais tarde, volvem também à leira do homem comum, favorecendo, porém, de maneira espontânea, a solução de diferentes problemas que lhes dizem respeito, sem exigir maior sacrifício dos habitantes em sua conservação."


Após o Desencarne

Deixo esse tópico para a brilhante explicação encontrada no livro Entre a Terra e o Céu.
"... e, nos últimos tempos, com as novas concepções do Espiritualismo, acreditávamos que o menino desencarnado retomasse, de imediato, a sua personalidade de adulto...Em muitas situações, é o que acontece —esclareceu Blandina, afetuosa — ; quando o Espírito já alcançou elevada classe evolutiva, assumindo o comando mental de si mesmo, adquire o poder de fàcilmente desprender-se das imposições da forma, superando as dificuldades da desencarnação prematura.

Conhecemos grandes almas que renasceram na Terra por brevíssimo prazo, simplesmente com o objetivo de acordar corações queridos para a aquisição de valores morais, recobrando, logo após o serviço levado a efeito, a respectiva apresentação que lhes era costumeira Contudo, para a grande maioria das crianças que desencarnam, o caminho não é o mesmo. Almas ainda encarceradas no automatismo inconsciente, acham-se relativamente longe do auto-governo.

Jazem conduzidas pela Natureza, à maneira das Criancinhas no colo maternal. Não sabem desatar os laços que as aprisionam aos rígidos princípios que orientam o mundo das formas e, por isso, exigem tempo para se renovarem no justo desenvolvimento. É por esse motivo que não podemos prescindir dos períodos de recuperação para quem se afasta do veículo físico, na fase infantil, de vez que, depois do conflito biológico da reencarnação ou da desencarnação, para quantos se acham nos primeiros degraus da conquista de poder mental, o tempo deve funcionar como elemento indispensável de restauração. E a variação desse tempo dependerá da aplicação pessoal do aprendiz à aquisição de luz interior, através do próprio aperfeiçoamento moral."

No livro Voltei também temos informação sobre um lar para crianças desencarnadas e também sobre recém-nascidos:
"Marta explicou-me que a instituição asila irmãozinhos desencarnados, entre sete e doze anos de idade, e, porque eu indagasse pelas crianças tenras, esclareceu Andrade que, para essas, quando se não trata de entidades excepcionalmente evoluídas, inacessíveis ao choque biológico da reencarnação, há lugares adequados, onde o tempo e o repouso lhes favorecem o despertar, a fim de que lhes não sobrevenham abalos nocivos.
...
Informou-me a filha de que as criancinhas não obstante viverem ali, em comunidade, dividem-se, no esforço educativo, por turmas afins. Caracterizam-se os grupos por variados graus de elevação espiritual e as classes se subdividem pelas aptidões e tendências, examinados os precedentes de cada uma. Quando perguntei se na vida espiritual pode a criança desenvolver-se e optar pelo mau caminho, replicou Andrade que isso é perfeitamente cabível, considerando-se que, com o desenvolvimento na nova esfera, a alma recapitula as emoções do passado, com apelos íntimos de variadas espécies, acrescentando, todavia, que, de modo geral, as crianças estacionadas nos parques de reajustamento sempre se encaminham à reencarnação. Se o Espírito de ordem sublimada se desenfaixa dos laços da carne, quite com a lei que nos governa o destino, em período infantil, readquire, de pronto, as mais altas expressões da própria individualidade e ergue-se a mais elevados planos. "


O Sofrimento dos Pais


Acredito que poucas coisas machuquem tanto o coração quanto perder um filho. Por isso é muito difícil que palavras curem as feridas deixadas pelos pequenos que se foram. Buscamos aqui somente mostrar o que acontece com eles após o desenlace, para lembrar que eles não se foram para sempre e que nunca estarão desamparados por nosso Pai, que é só amor e bondade.
Do trecho abaixo, retirado do livro Ação e Reação é falado sobre o sofrimento dos pais relativo a filhos que desencarnam.

"E os pais? - inquiriu meu colega, alarmado. Em que situação surpreenderemos os pais dos que devem ser imolados ao progresso ou à justiça, na regeneração de si mesmos? a dor deles não será devidamente considerada pelos poderes que nos controlam a vida?

- Como não? - respondeu o orientador - as entidades que necessitam de tais lutas expiatórias são encaminhadas aos corações que se acumpliciaram com elas em delitos lamentáveis, no pretérito distante ou recente ou, ainda, aos pais que faliram junto dos filhos, em outras épocas, a fim de que aprendam na saudade cruel e na angústia inominável o respeito e o devotamento, a honorabilidade e o carinho que todos devemos na Terra ao instituto da família. A dor coletiva é o remédio que nos corrige as falhas mútuas."


CEMITÉRIO


Vamos traçar o ambiente de um cemitério.

Os cemitérios, onde geralmente os corpos são velados e posteriormente enterrados são centros acumuladores de energias de sofrimento, angústia, revolta e etc.

Dentre os vários tipos de espíritos que podemos encontrar em um cemitério podemos citar:

- Espíritos que estão algemados ao corpo, sofrendo pela própria decomposição.

- Espíritos que não são bons nem maus, podem estar acompanhando um enterro.

- Falanges de espíritos trevosos que espreitam os cemitérios atrás de recém-desencarnados que não possuem o merecimento da proteção. Eles se aproveitam de todas as maneiras possíveis dos que ficam ao léo.

- Equipes espirituais de auxílio. Elas ficam sempre em vigília para ajudar aqueles que se tornam mais receptivos.

É importante se envolver em energias positivas quando for ao cemitério, sempre orando ao entrar e ao retornar. Para os médiuns a atenção deve ser redobrada.

Não se deve brincar em um enterro, falar mal da pessoa que morreu e etc, pois do outro lado estão espíritos que podem se afinizar ou se revoltar com o que você está falando e as conseqüências podem ser graves se o espírito resolver lhe acompanhar ou se vingar.


Locais para onde são levados os desencarnados

Cada espírito que desencarna é levado para um lugar diferente, que está em sintonia com o seu grau de evolução e com a sua conduta durante a vida.

Para os espíritos medianos o processo é de encaminhamento aos Postos de Socorro e depois eles são levados para o ambiente que se vinculam por afinidades familiares ou de trabalho.

Para os que tiveram uma vida desregrada, prejudicando outras pessoas e a si próprio, é necessário um período mais ou menos curto em zonas inferiores do Astral, que Ramatís chama de Charcos Pestilenciais. Nesses ambientes, habitados por espíritos que se entregaram as energias animais, o tempo se responsabiliza por trazer à tona os erros cometidos, fazendo-o refletir, revoltando-se ou se culpando ele vai aos poucos drenando as energias e se preparando para habitar esferas de vibração superior ou reencarnar.

Retiramos o trecho abaixo do livro Evolução em Dois Mundos, de André Luiz, onde o nosso querido amigo espiritual fala de forma clara e objetiva sobre o Astral Inferior, seus objetivos e sua necessidade, com vista a recuperação do espírito.
"As vítimas do remorso padecem, assim, por tempo correspondente às necessidades de reajuste, larga internação em zonas compatíveis com o estado espiritual que demonstram.
...
Além-túmulo, no entanto, o estabelecimento depurativo como que reúne em si os Órgãos de repressão e de cura, porqüanto as consciências empedernidas aí se congregam às consciências enfermas, na comunhão dolorosa, mas necessária, em que o mal é defrontado pelo próprio mal, a fim de que, em se examinando nos semelhantes, esmoreça por si na faina destruidora em que se desmanda.

É assim que as Inteligências ainda perversas se transformam em instrumentos reeducativos daquelas que começam a despertar, pela dor do arrependimento, para a imprescindível restauração.
...
O inferno, dessa maneira, no clima espiritual das várias nações do Globo, pode ser tido na conta de imenso cárcere-hospital..".


Fonte: Grupo PAS

domingo, 13 de janeiro de 2013

COMO A DOUTRINA ESPÍRITA PODE CONTRIBUIR COM O FIM DO PRECONCEITO?




A doutrina espírita contribui com a extinção dos preconceitos esclarecendo que a Lei Divina determinará implacavelmente que reencarnemos entre aqueles que discriminamos.
 
Há inúmeros relatos em obras mediúnicas, dando-nos notícias de fazendeiros que judiavam dos negros. Retornaram como escravos africanos.
 
Anti-semitas voltam como judeus para sentir na própria pele o que é esse preconceito. Da mesma forma, judeus convictos de que pertencem a uma raça superior, escolhidos por Deus, ressurgem no seio dos povos que julgam inferiores.
Aprendemos com Jesus que o amor ao próximo equivale a amar a Deus. Isso significa que é absolutamente impossível reverenciar o Criador discriminando suas criaturas.




Fonte: GRUPO DE ESTUDO ALLAN KARDEC

sábado, 12 de janeiro de 2013

VISÃO ESPÍRITA DA BÍBLIA





--- Questão [#001]

O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Kardec, aborda somente, alguns capítulos do Novo Testamento. Assim, qual a posição do Espiritismo face ao Velho Testamento?


Resposta: A posição do Espiritismo tem que ser a posição de Jesus que é fidelidade a Torá e os profetas. Veja Mateus 5:17: “ Não penseis que vim abolir a Torá e os profetas, Não vim abolir, mas dar-lhes pleno cumprimento”. Portanto a Doutrina espírita tem que ser fiel ao (Antigo Testamento) ou mais apropriadamente “Primeira Aliança”. Assim, não devemos desprezar a “Primeira Aliança”, só porque não a conhecemos bem.

--- Questão [#002]

Gostaria de saber por que Jesus disse estas palavras quando na cruz:"Pai, porque me abandonastes", sabendo ele da sua missão na terra e sendo o espírito de grandeza que é?

Resposta: Jesus não se sentiu abandonado. Ele tinha plena convicção da sua missão. Ele apenas repete ou recita na cruz, o Salmo 22, que é um salmo profético de Davi falando sobre o que aconteceria com o Messias. Confira...

--- Questão [#003]

A revista "Super Interessante" de julho trouxe um artigo sobre a Bíblia, com estudos arqueológicos, provando que grande parte do Antigo Testamento não tem embasamento histórico. Gostaria de saber, se na sua opinião, Moisés realmente existiu, e o que acha das demais colocações feitas no artigo.

Resposta: É um artigo interessante, mas que precisa ainda ser melhor avaliado. Suas conclusões são muito fortes. Necessitamos ainda de melhores esclarecimentos. Pessoalmente acredito na existência de Moisés. Negar a sua existência é uma coisa e provar a sua inexistência é outra. Considero um assunto ainda em aberto.

--- Questão [#004]

Qual a missão dos profetas do Velho Testamento?

Resposta: A Missão de um médium de Deus. Os profetas não eram senão, médiuns escolhidos por Deus para chamar atenção de reis e dirigentes que não estavam preocupados com as questões espirituais. Deus os enviava para alertá-los e pode observar que os reis que não os escutavam, quase sempre caiam. A palavra NAVI
em hebraico significa profeta e profeta é um intermediário entre o mundo espiritual e o mundo material, ou seja, um MÉDIUM. No entanto, existe uma diferença:

os profetas prediziam acontecimentos futuros, os médiuns hoje não possuem esta função e sim a função de trazer a mensagem espirituam reformadora para os homens.

--- Questão [#005]

Podemos confiar na Bíblia como documento, devido a diversas alterações com o decorrer do tempo e de diversas alterações?

Sabemos da pobreza de palavras,na época, com diversos sentidos, com diferentes sentidos !

Resposta: A Bíblia sofreu muitas alterações nas suas diversas traduções, como podemos demonstrar em nosso livro “ Analisando as Traduções Bíblicas”. No entanto, a Bíblia em seu texto original, o HEBRAICO, é confiável, pois apesar das diversas adversidades enfrentadas pelo povo hebreu, os seus sacerdotes e escribas souberam, em todas as regiões por onde o povo hebreu passou, conservar seus textos íntegros. Os escribas ainda hoje trabalham na conservação dos textos originais. Em todas as Sinagogas judaicas do mundo inteiro existem textos originais da Bíblia e mais de um.

--- Questão [#006]

Quais livros que são lendas, ou cheias de simbolismos, e os que são verdadeiros, não lendários na Bíblia?

Resposta: Qualquer livro da Bíblia deve ser avaliado antes de sua leitura sobre três aspectos:Quando foi escrito? Para quem foi escrito? E Por que foi escrito? Partindo-se destas premissas você pode sem dificuldade, filtrar o que é ensinamento, o que é história e o que é lenda. Assim, por exemplo, o Gênesis até o capítulo 11 se constitui de proto-história. A história de Adão e Eva, por exemplo, é uma Lenda.

--- Questão [#007]

Os livros de Emmanuel, na minha visão, trazem muitas revelações sobre fatos reais da Bíblia. Como no livro "Há dois mil anos", em que traz o retrato de Jesus e que foi encontrado com o Duque de Cesadine em Roma, também foi encontrado a estatua de Lívia e em "Paulo e Estêvão" ele nos diz que os Evangelhos foram escritos um ano após a morte de Jesus. Eu queria saber o que é real, provado, dessas revelações.

Resposta: Cientificamente não se tem ainda, condições de provar nada neste sentido. A história de Jesus passou despercebida pelas autoridades de então. Muito poucas são as citações a seu respeito. E tudo isto torna difícil de se provar a sua real mensagem entre nós. Leia o nosso novo livro “ O Sermão do Monte”, onde você vai receber maiores esclarecimentos neste sentido.

--- Questão [#008]

Quando nós nos propomos a formular a idéia da reencarnação , vem sempre a mente as passagens de Nicodemos, e a de Elias , ora pra nós está claro pelo fato de sermos estudantes da doutrina, porém ao vulgo devemos nosso respeito e precisamos conceituar de maneira mais clara. Como você esclareceria isto?

Resposta: A Bíblia possui do Gênesis ao Apocalipse passagens sobre a Reencarnação e isto no texto original HEBRAICO. Todo judeu ortodoxo é reencarnacionista e o é, com base na Torá que é um livro respeitado e seguido pelos judeus. A Cabalá, ciência judaica, fala claramente da Reencarnação e ainda esclarece que a Bíblia possui 613 mandamentos e que o judeu só pode ir à
Deus quando tiver cumprido todos os 613 mandamentos. E acrescenta que isto não pode ser cumprido em uma só existência. Por isso, o judeu volta várias vezes em um processo que em hebraico se chama “ Guilgul Neshamot” que significa “
Transmigração das almas. É semelhante a nossa conhecida reencarnação. A diferença é que para eles, o espírito muito ruim pode retroceder e voltar como animal.

--- Questão [#009]

A Bíblia nos fala da comunicação mediúnica como necromancia, e os detratores do Espiritismo negam a comunicabilidade. Como fazer esta idéia transparecer?

Resposta: Leia o nosso livro “Analisando as Traduções Bíblicas”, onde existe uma pesquisa de 10 anos nos textos hebraicos originais. Nele mostramos cientificamente que nada disto procede. É apenas interesse das religiões escravizadoras que querem manter os seus seguidores presos aos seus princípios
infundados. A Bíblia jamais poderia condenar o Espiritismo que nem existia quando ela foi escrita. As recomendações do famoso Deuteronômio 18:9-11 foram feitas para os hebreus que se encontravam na planície do deserto do Sinai. Nós
espíritas 4.000 anos depois não temos nada a ver com isto.

--- Questão [#010]

O que será de o "O Evangelho Segundo o Espiritismo", depois que o Celestino traduzir a Bíblia? Ele está mudando tudo!

Resposta: Uma verdade não pode destruir outra. O Evangelho Segundo o Espiritismo é uma obra fantástica que Kardec e os Espíritos realizaram em tempo certo. A tradução da Bíblia não destruirá absolutamente nada. Kardec utilizou as traduções existentes e fez questão de citá-las inclusive as fontes que ele
utilizou. Veja por exemplo: Ev. Seg. Espiritismo capítulo I item 2- nota de rodapé; Cap. IV item 8-nota de rodapé. Cap. XVI- item 2-nota de rodapé. Cap.XIX –item 7-nota de rodapé. Cap. XIII item 7-nota de rodapé. Observe que Kardec não aceitava as traduções que ele utilizava, como última palavra e até explica em nossa última citação (Cap. XXIII-item 7) como se equivocam os que traduzem a Bíblia. Portanto não estamos detruindo Kardec, mas ratificando e esclarecendo a sua obra.

--- Questão [#011]

Parece que o Celestino disse que os judeus são reencarnacionistas; como se explica que alguém que crê na reencarnação planeje "acabar" com seus inimigos à
força?

Resposta: Outro equívoco! Estamos misturando religião com questões políticas. Uma coisa é a sobrevivência social e a outra é a religião. A história dos hebreus foi sempre pautada em uma questão de sobrevivência. Moisés era um legislador que cuidava do social e Aarão, um sacerdote que cuidava do espiritual. Não há planejamento por parte dos judeus para acabar com seus
inimigos. A questão é bem mais profunda do que se imagina. Busque na história e mesmo bíblica, a origem de tudo. O povo hebreu descende de Abraão através de Isaac e o povo árabe também descende de Abraão através do seu filho Ismael.
Portanto ambos possuem a mesma origem familiar. Portanto, esta é uma briga de família e quem vai resolver é a própria REENCARNAÇÃO.

--- Questão [#012]

Por que a Bíblia deixou de ser escrita, ou seja, por que o Apocalipse é considerado o final da Bíblia, sendo que as revelações não cessaram?

Resposta: Isto é muito relativo e depende do ângulo que é analisado. A Bíblia do judeu é constituída apenas do Velho Testamento. Eles se satisfazem com ela e ainda afirmam que todas as verdades estão em sua Bíblia, ou seja, na Torá. Os
católicos afirmam que sua Bíblia é composta de Velho e Novo Testamento e possui 73 livros, começando no Gênesis e terminando no Apocalipse. Os protestantes afirmam que sua Bíblia é composta de Velho e Novo Testamento e possui 66
livros. Nós espíritas aceitamos a Bíblia completa e já sentimos a necessidade adicionar a ela o Pentateuco de Kardec. Assim, cada época, tem sua peculiaridade de acordo com o padrão evolutivo da época. No entanto, convém ressaltar que nós não acreditamos em previsões futuristas, pois o nosso futuro é construído por nós mesmos no presente. È o nosso “livre arbítrio”, uso e abuso, que rege tudo.

--- Questão [#013]

Quero saber um pouco mais sobre a questão do batismo; por que o espírita não batiza seus filhos?

Resposta: Jesus nunca batizou ninguém. Veja João 4: 1 e 2. Seus discípulos batizavam, porém Jesus nunca batizou. Batismo significa, filiação, aceitação. Aceitação implica em mudança e não é um “ritual” que faz a pessoa mudar. Era Jesus quem sempre recomendava “ Vai e não peques mais”. Se conseguirmos nossa
mudança interior, já estamos “batizado”. O espírita não precisa batizar seu filho, mas ensiná-lo o verdadeiro caminho que ele tem que seguir.

--- Questão [#014]

Gostaria de saber o que seriam os espinhos na carne que Paulo de Tarso cita em uma de suas cartas.

Resposta: A maioria dos exegetas afirmam que seria alguma debilidade física ou enfermidade, e não a alguma prova moral ou espiritual do apóstolo. Veja Gálatas 4:13 e 14. Pessoalmente acho que Paulo, além de problemas físicos possuía também provações (obssessões) espirituais e que a isto ele chamava de espinhos. O seu trabalho de fundação do cristianismo não foi tarefa simples e
ele teve que vencer todas as forças contrárias vindas de espíritos inferiores.

--- Questão [#015]

Tive a oportunidade de conhecê-lo na CONCAFRAS de Brasília, em 2000, quando do lançamento do seu livro sobre as traduções da Bíblia. Depois ainda em uma palestra sua em Londrina-PR. Gostaria de fazer duas perguntas:

1) Qual, na sua opinião, é a maior deturpação dos ensinos de Jesus, registrada na Bíblia, em virtude de traduções erradas (ou até de má fé...)?

A segunda é sobre um comentário que ouvi de um pastor protestante sobre a passagem em que o Cristo pergunta a Pedro por 3 vezes consecutivas "Tu me amas, Pedro?" e Pedro lhe responde afirmativamente em todas as vezes. Segundo o Pastor, as palavras usadas por Pedro e Jesus para dizer amor têm sentidos diferentes e, enquanto Jesus usa no sentido de compromisso, o sentido dado por Pedro é de simpatia. Nos seus estudos você chegou a observar essa diferença na palavra original usada por cada um para designar o amor?

Resposta: Existem muitas. Vamos por parte: Jesus não falava grego nem pronunciou seus ensinamentos em grego. Jesus falava hebraico e em algumas situações falava aramaico. Tudo que ele falou foi escrito em grego e 50 anos depois. Assim, os seus ensinamentos vieram de acordo com a visão de quem contou
a sua história. Jesus nunca escreveu nada e por isso fica difícil afirmarmos categoricamente algo sobre ele. Imagine que aqueles que não têm escrúpulo e querem dirigir as coisas em seu benefício não se preocupam com a fidelidade dos seus ensinamentos. O resultado o que temos hoje: interpolações de todos os
sentidos em seus evangelhos.

Com relação a segunda, Isto não ocorre no hebraico, que foi a língua usada por Jesus. Em hebraico O AMOR só tem uma concepção. Estas divergências de conceito só existem no texto grego. Você tem aí um exemplo das divergências e diferenças
com relação ao que Jesus disse e o que passam para nós.

--- Questão [#016]

Qual a melhor forma de fazermos uma leitura da Bíblia nos tempos de hoje? E sua prática diante de tantas adversidades?

Resposta: É aconselhável primeiro um curso básico sobre a Bíblia para poder tirar maior proveito. A Bíblia não deve ser lida numa seqüência livro-a-livro. Cada livro tem uma história que devemos buscar. É sempre bom antes de se ler cada livro conhecer-se em que época ele foi escrito, para quem foi escrito e por que foi escrito? Assim, você se situa melhor e entende a sua mensagem.

--- Questão [#017]

O que o senhor acha do livro "Os Quatro Evangelhos", de Roustaing, que traz uma visão espírita dos evangelhos e também dos 10 Mandamentos?

Resposta: A obra de Roustaing possui limitações e não aconselho o seu estudo como um roteiro de estudos. É uma obra para se ler e tirar conclusões não definitivas. Sabemos que é uma obra recebida por um só médium e que Kardec nos adverte sobre isso. A obra de Kardec foi recebida em diversos locais e por diversos médiuns diferentes. Tire sua conclusões...

--- Questão [#018]

A Bíblia explica a origem do homem no sentido de humanidade. À luz da doutrina espírita, qual é a necessidade de ter sido criado o homem?

Resposta: A criação do homem foi uma conseqüência da evolução do universo. Segundo Kardec o mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno preexistente e sobrevivente a tudo. O mundo corporal não é senão secundário; poderia cessar de existir, ou não ter jamais existido, sem alterar a essência do mundo espírita. Entre as diferentes espécies de seres corpóreos, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos que atingiram um
certo grau de desenvolvimento, o que lhe dá a superioridade moral e intelectual sobre os outros.

_____________________________________________________
Autor: Severino Celestino
Todo esse material provém dos sites: CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo e da Revista Eletrônica O Consolador.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

TERAPIA DE VIDAS PASSADAS E ESPIRITISMO



Milton Menezes


O tema Terapia de Vida Passada - TVP - ganhou, ultimamente, grande espaço nos meios de comunicação em geral. Como todo tema polêmico, tem gerado muitos debates e opiniões. Mas por que uma proposta terapêutica como essa pode gerar tanta polêmica? Pelo lado da ciência, o centro da questão está na utilização de uma hipótese de trabalho reencarnacionista, que a ciência ocidental continua julgando um tema religioso ou místico, que não pode ser considerado como objeto de estudo.

Para a Doutrina Espírita, apesar defender a reencarnação como processo natural na vida do ser humano, a questão está na utilização da Regressão de Memória à nossas vidas passadas. O objetivo deste artigo será o de discutir alguns dos principais pontos desta relação entre a Terapia de Vida Passada e o Espiritismo.

Para evitar os “achismos”, resolvemos fazer uma pesquisa a nível nacional, no final de 1998, em que apresentávamos para a população espírita um questionário sobre a Terapia de Vida Passada. Dos 500 que foram respondidos, identificamos algumas das principais preocupações do espírita em relação à Terapia de Vida Passada - TVP - e a Regressão de Memória:

Necessidade do esquecimento do passado;
Não poder interferir no processo de sofrimento causado por problemas no passado;
Fazer Regressão por curiosidade;
Na verdade, o que se pode observar é que a maioria das pessoas tem dúvidas se deveriam ou não utilizar a TVP como recurso, não tem uma informação correta sobre o que é a TVP, hoje.

A TVP se insere na abordagem da Psicologia Transpessoal, um ramo mais recente da Psicologia que considera o componente espiritual como uma das dimensões do ser humano, que interfere no entendimento do homem e de seus sofrimentos. Porém, na TVP consideramos a hipótese de trabalho da reencarnação como base de explicação do conteúdo obtido no processo de Regressão de Memória, isto é, julgamos que os relatos obtidos com os indivíduos em Estado Alterado de Consciência se referem às suas experiências vividas em outras encarnações.

Para a TVP, a maioria dos problemas que temos na vida atual decorrem de situações traumáticas ou bastante desequilibradas que foram vividas pelo indivíduo no passado e que deixaram marcas profundas no seu psiquismo profundo. Todas essas experiências estão registradas nesta instância Inconsciente que o Dr. Jorge Andréa (1) chama de Inconsciente do Pretérito. Algumas situações na vida atual, parecem desencadear o surgimento, na zona mais consciente do psiquismo, desses desequilíbrios, transformando-se em verdadeiras patologias. Podemos citar as fobias, a Síndrome do Pânico, distúrbios de comportamento como os sexuais ou os compulsivos, a depressão, a ansiedade, etc. como algumas que podem se beneficiar com o tratamento pela TVP.

O primeiro passo do processo está em tornar consciente esse conteúdo do passado. É nesse momento que podemos utilizar a Regressão de Memória na identificação da situação do passado geradora do sofrimento atual. Posterior e concomitantemente a essa identificação, teremos que utilizar diversas intervenções específicas para cada caso, visando dissociar a personalidade atual daqueles traumas vividos no passado. Como vimos não basta apenas lembrar o passado. Há uma necessidade de um acompanhamento terapêutico criterioso do delicado conteúdo emocional e psíquico que surge do processo de Regressão. A nossa experiência tem indicado a necessidade da TVP só ser feita por profissional da área de saúde mental que estaria habilitado ao processo de forma integral.

Como podemos ver a finalidade da TVP é terapêutica. Com isso desfaz-se uma das grandes preocupações do público espírita, em particular: a curiosidade. Na verdade o terapeuta, quando executa um trabalho sério, não considera os casos em que as pessoas procuram para saber o que foram ou fizeram de extraordinário em suas vidas passadas. Julgamos que o material que lidamos seja muito delicado para uma finalidade fútil !

Mas, a questão mais delicada do espírita parece ser a de se “levantar o véu que encobre o passado” já que seria uma “dádiva divina”. Se observarmos no contexto da Doutrina, as principais referências sobre o assunto estão em O Livro dos Espíritos na parte 2a., cap. VII, em um item que engloba as perguntas 392 à 399, com o título: O esquecimento do passado. Nesse ponto os Espíritos alertam para os inconvenientes que a lembrança do passado teria para os indivíduos. E nós concordamos inteiramente com isso !!! Vamos observar que este capítulo trata “Da Volta do Espírito à Vida Corporal”. É claro que quando voltamos ao corpo físico necessitamos do esquecimento de nossas vidas pregressas. Como, uma criança conseguiria estruturar uma nova personalidade lembrando simultaneamente de todas as suas vidas passadas? Seria impossível.

Diversas obras na literatura espírita defendem a utilização terapêutica da Terapia de Vida Passada. Dos autores encarnados, citamos o Dr. Jorge Andréa, psiquiatra e pesquisador do psiquismo profundo e da reencarnação com vasta contribuição nessa área. Mesmo entre os desencarnados, através das obras psicografadas, não há uma contra-indicação à utilização da TVP nos casos em que verificamos graves problemas psíquicos, emocionais, físicos ou de comportamento. Pelo contrário. Espíritos como Joanna de Ângelis (2) e Bezerra de Menezes (3) tem ressaltado, através de algumas de suas obras, a importância deste tipo de abordagem científica na minimização do sofrimento humano. Mas é claro que a TVP não é uma panacéia capaz de resolver todos os problemas. Como toda abordagem terapêutica tem suas limitações e dificuldades que somente uma atuação séria e criteriosa poderá superar, ampliando o potencial de cura de sua aplicação.

É o sofrimento o nosso grande objetivo! Para nossa surpresa, muitos espíritas responderam afirmativamente à questão: “o sofrimento é a melhor forma de pagarmos os erros do passado”. Isso pode levar a um entendimento distorcido da finalidade da vida e do sofrimento. A Doutrina Espírita (4) deixa bem claro qual é o objetivo das encarnações sucessivas: o desenvolvimento moral e intelectual do ser. O sofrimento representa um desequilíbrio resultante de um comportamento inadequado do passado que ainda mantém características na personalidade atual. Na medida em que se resolvam as causas cessam-se os efeitos. Em O Livro dos Espíritos, questão 1004, Kardec pergunta sobre o critério de duração dos sofrimentos a que os espíritos respondem ser função da melhora do indivíduo. Na resposta fica clara a finalidade pedagógica do sofrimento, pois quando a pessoa melhora o aspecto desequilibrado o sofrimento perde o sentido, modificando-se ou extinguindo-se.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo 5, temos a orientação dos espíritos de que devemos empreender todos os nossos esforços no sentido de minimizar o sofrimento dos homens. Ora se a TVP desponta como um instrumento da ciência que pode ajudar nesse processo de aprimoramento do ser humano pela dura de alguns de seus sofrimentos, por que não utilizá-la? Será que não poderíamos utilizar a TVP para ajudar uma pessoa a superar sua Síndrome do Pânico ou de uma depressão profunda por exemplo, simplesmente porque utilizaremos de suas lembranças pretéritas? Nos parece que se a TVP é uma conquista da Ciência ela está consoante aos desígnios de Deus para o progresso da Humanidade.

A ciência avança no sentido da confirmação do espírito, como origem e princípio básico da vida, e da reencarnação como mecanismo natural fundamental para o entendimento do homem e de seus sofrimentos. A TVP, aplicada de forma séria e criteriosa, demonstra ser um instrumento legítimo deste movimento. Como resultado desta aplicação o indivíduo se reconhece como ser espiritual eterno em passagem temporária de aprendizado pelo corpo. Ao verificar as conseqüências de seus atos passados nos seus problemas atuais pode refletir e decidir sobre quais são os valores existenciais essenciais para o seu espírito hoje e descobre a necessidade de desenvolver o Abrandamento de suas tendências negativas e a Aceitação dos problemas que enfrentamos. Ao final, perceberá a necessidade de reclamar menos e Amar mais, a si mesmo e aos outros.

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Referências Bibliográficas:

(1) Palingênese, a Grande Lei - Jorge Andréa

(2) O Homem Integral - Joanna de Angelis/Divaldo Franco;

(3) Loucura e Obsessão - Manoel P. de Miranda/Divaldo Franco;

(4) O Céu e o Inferno - Kardec - 1a. parte, cap. III, item 8.

(5) O Livro dos Espíritos - Kardec - Questões 392 à 399;

(6) O Evangelho Segundo o Espiritismo - Kardc - Cap. 5;

(7) Terapia de Vida Passada e Espiritismo - Distâncias e Aproximações - Milton Menezes

MILTON MENEZES

Milton Menezes nasceu em Petrópolis - RJ, em 23 de outubro de 1960.
Formado em Ciências Econômicas pela UERJ.
Formado em Psicologia pela Universidade Estácio de Sá.
Especialização em Terapeuta de Vida Passada pela Sociedade Brasileira de Terapia de Vida Passada - SBTVP em Campinas - SP.
Mestrando em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ.
Membro fundador do IBRAPE-TVP - Instituto Brasileiro de Pesquisa em TVP do Rio de Janeiro.
Pesquisa atualmente a aplicação da TVP na Síndrome do Pânico.

RESUMO:

O grande desafio da TVP é consolidar a reencarnação como hipótese científica de trabalho, introduzindo o conceito de Espírito como capaz de explicar vários aspectos na Psicologia e Medicina.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

ENCONTRANDO A FELICIDADE NO NATAL



  
Amados irmãos,


Segue a mensagem do irmão Pedro Valiati acerca do Natal. Desde já, desejo a todos um feliz Natal! Que Jesus esteja presente no coração de cada um de vocês!



Do ponto de vista dos evangelhos, o Natal marca o nascimento do Cristo. Pelo pouco que aprendi do novo testamento, pude perceber que toda passagem do mesmo tem um sentido, uma mensagem por vezes bem profunda. No Natal não é diferente, entendamos a história do nascimento do Cristo.

Em Lucas 1:26-38 temos o anjo Gabriel, o qual aparece a uma jovem, Maria, ainda no inicio de sua adolescência, dizendo que ela daria a luz a um filho, e que esse seria o filho de Deus e chamaria Jesus. A jovem Maria não titubeou em dizer faça-se em mim a vontade do Senhor. Essa é a primeira lição, o aceite imediato e incondicional da missão, nada fácil, diga-se de passagem, reservada por Deus. No entanto, Maria não apenas a aceitou, mas a cumpriu, eis o seu mérito. Saber aceitar e cumprir à risca a nossa programação espiritual, ainda traçada no plano espiritual, é feito realizado por poucos. Mesmo que tenhamos dificuldades na realização das nossas tarefas, tal como Maria o teve, vide Mateus 12:46-50, é necessário nunca desistir, aprender com as “pedras do caminho”, as quais sempre existirão. Henry Ford dizia que “existem mais desistentes do que fracassados”. A lição dada pelo comprometimento de Maria com a própria missão serve para todos, especialmente aos pais, mães, filhos e também para os trabalhadores da Seara.

Continuando, conta o evangelho em Mateus 2:13, que o rei Herodes, por sua condição materialista, não queria perder o poder temporário, porem, as profecias apontavam que naquela época nasceria o Rei dos Reis. A solução encontrada por Herodes para evitar o nascimento do Cristo todos conhecemos; o fato é que era um rei e seus soldados contra um marceneiro e sua esposa grávida. Quais as chances de José e Maria? Essa é a segunda lição da passagem natalina: A fé na providencia e intercessão divina quando estamos na realização da nossa missão, acreditar que a vontade de Deus está acima da vontade do homem, independente do grau de poder do mesmo. Lembremos dessa passagem quando acharmos que nossa vida não tem sentido e que não teremos chaves diante e uma dificuldade, física, moral, profissional ou familiar. Acreditemos que a vontade de Deus está acima. Façamos a nossa parte e deixemos a Deus o desfecho. Tal como José e Maria.

Bem, após isso, José e Maria seguiram a Estrela de Davi, a qual os guiou. Nós temos uma “Estrela de Davi”, pode ser que esteja na forma de um parente, amigo, porem certamente na forma de um anjo guardião, ou mentor espiritual. Estes tem por missão nos orientar em nossos momentos de dificuldade, e ficam felizes quando obtem sucesso; no entanto é necessário que estejamos dispostos a escutar-lhe as orientações em forma de inspiração ou durante o sono.

Finalmente, José e Maria chegaram a uma caverna, onde dentro encontrava-se uma mangedoura, a qual serviu de berço para o Cristo. Essa, na minha opinião, é a maior lição da passagem evangélica natalina, a qual vem contrastar com o “Natal dos presentes, comes e bebes”, os quais temos presenciados. É natural e necessário que queiramos demonstrar apreço e amor pelos nosso entes queridos, e um presente é certamente a forma de fazê-lo. É importante confraternizar com nossa família e amigos; tais encontros fortalecem laços. Porem o que temos presenciado é o exagero e a banalização do sentimento natalino. Um presente jamais irá transferir suficiente sentimento, ou suprir responsabilidades. A passagem do Cristo na mangedoura nos mostra a diferença do necessário e do supérfluo para o cumprimento da nossa missão. O Cristo mostrou que por mais difícil que fosse a própria missão, Ele não necessitava de um berço. Que por mais importante que Lhe fosse a passagem, Ele não precisou de estalagem para nascer. Que por mais importante que fosse a condição de Mestre e os ensinamentos os quais deveria passar, ele não necessitava de títulos, reverencias ou poder temporal. O que realmente importa ou necessitamos para cumprirmos a nossa missão? Qual o exemplo e os valores que temos dado aos nossos filhos para que os mesmos cumpram a respectiva missão? Nesses temos de Natal reflitamos acerca da mensagem que o Cristo nos passou e tentemos analisá-la relacionando tal mensagem com a nossas vidas. O nosso Chico dizia: “Sabemos que precisamos de certos recursos, mas o Senhor não nos ensinou a pedir o pão, mais dois carros, mais um avião... Não precisamos de tanta coisa para colocar tanta carga em cima de nós. Podemos ser chamados hoje à vida espiritual... Tudo que criamos para nós, de que não temos necessidade, se transforma em angustia e depressão...”

Mesmo com todas essas lições ainda temos pessoas que associam o Natal a tristeza e solidão em vez de animo e esperança. Não faltam os que dizem que o Natal é a época mais triste do ano. O que acontece é que só descobrimos nossas tristezas quando somos o “contraste”. Na verdade tais pessoas são solitárias o ano todo, constroem suas vidas em cima do passageiro; uma carreira profissional, um titulo, dinheiro etc. E quando chega uma época onde grande parte da população olha para o próximo, um amigo ou um parente, esses só conseguem olhar para si mesmos, e verem o contraste, o diferente. A felicidade estampada nas luzes das casas, na reunião da família para a preparação da ceia e na celebração da mesma se contrasta com a distancia e o vazio emotivo que construíram para si mesmos. O sentimento natalino é um dos termômetros de como anda a nossa missão na Terra. Se não conseguimos confraterniza com nossa família, ou se a temos como pessoas tão distantes e repulsivas, que a idéia de associar momentos felizes a elas não nos alcança, talvez seja a hora de trabalhar o perdão, a tolerância e de refletirmos do porque de termo nascido naquela família senão para a aproximação e renovação de sentimentos. Se não temos uma família, o convívio com amigos se torna uma alternativa quando estamos abertos aos bons sentimentos; não seremos o contraste mesmo diante dos que não nos repartem o mesmo sangue. No entanto, se nos encontramos em situação de abandono sentimental, onde nem mesmo os “amigos” nos acolhem, nesses casos devemos lembrar que uma antiga frase, da qual confesso que desconheço o autor, e que diz: “ninguém é tão pobre que não possa doar algo de si.” O nosso Chico certa vez atendeu um jovem adulto, o qual lhe dizia ter muito sucesso na vida sem necessitar de subterfúgios ilegais, uma esposa maravilhosa a qual amava e uma filhinha linda e saudável; no entanto confessava não ter ainda encontrado a felicidade. O Chico, sábio e amoroso como sempre, lhe retorna com um sorriso na face, dizendo que o que lhe faltava era sentir a felicidade do próximo.



Pessoas precisando de um auxilio existem aos montes, doentes em hospitais não faltam, crianças em creches esperam ansiosamente por um pequeno brinquedo, um afago, uma companhia numa celebração dessas como esquecimento, mesmo que temporário, de uma realidade provacional difícil à qual foi submetida. Ser parte desse esquecimento ou das boas lembranças desses pequenos nos fará igualmente as fibras da felicidade vibrarem em nosso peito. Idosos abandonados se amontoam nos asilos aguardando a mínima atenção, mesmo que de um desconhecido. No Natal, e até mesmo parafraseando Divaldo Franco, só seremos solitários se não soubermos ser solidários. Pensamos em perda de tempo atendendo aqueles que nada podem nos acrescentar, nos doar. Mas na verdade quando o cristo falou desses irmão carentes se referindo a eles como os pobres e os estopiados, como pessoas que nada poderiam nos oferecer, o Cristo disse aprnas da necessidade desses irmão, porem deixou que nós descobríssemos sozinhos que nestes atendimentos e assistências o maior beneficiado seríamos nós mesmos. O prazer de nos sentirmos úteis, de verdadeiramente beneficiarmos alguém de forma desinteressada, de vermos e sermos o veículo da felicidade e esperança alheia, mesmo que passageira, nos tira o tal contraste. Se achamos o Natal sem graça e sem sentido, é por que nós não buscamos o sentido natalino para as nossas vidas. Um Feliz Natal nos traz a sintonia com o ensinamento Cristão.

Um Feliz Natal a todos! Muita saúde e paz! E que tenhamos um Ano Novo repleto de conquistas e sucessos, especialmente morais!

POR: PEDRO VALIATI



sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

PROGRESSÃO DOS ESPÍRITOS




SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Aspectos Gerais. 4. Simples e Ignorante: 4.1. A Origem dos Espíritos; 4.2. Ignorância não quer dizer Maldade; 4.3. Simples não é Sinônimo de Simplicidade. 5. Progressão dos Espíritos: 5.1. O Determinismo Divino Vigora nas Camadas Inferiores; 5.2. Desenvolvimento do Livre-Arbítrio; 5.3. Determinismo Divino nas Camadas Superiores. 6. Perfectibilidade: 6.1. Perfectibilidade e não Perfeição; 6.2. Jesus é o Modelo de Perfeição; 6.3. Estudo Silencioso no Desenvolvimento do Pensamento. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.


1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é mostrar que há uma inexorabilidade na Lei Divina que sempre nos impele para o progresso, quer queiramos ou não.

2. CONCEITO

Progresso – O termo designa uma interpretação da evolução segundo a qual esta se faz no sentido do melhor, de tal forma que o antes é sempre inferior ao depois. Progresso consiste, assim, em dar um sentido de “melhor” ao processo evolutivo. (Polis – Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado)

Progressão – No âmbito da Doutrina Espírita, equivale à evolução. É o somatório dos acréscimos graduais de perfeição adquiridos pelo Espírito em cada uma de suas diversas encarnações.

Espírito – Princípio inteligente do universo.

Espíritos – No sentido especial da Doutrina Espírita, os Espíritos são os seres inteligentes da criação, que povoam o Universo, fora do mundo material, e constituem o mundo invisível. Não são seres oriundos de uma criação especial, porém, as almas dos que viveram na Terra, ou nas outras esferas, e que deixaram o invólucro corporal.

3. ASPECTOS GERAIS

De acordo com as instruções dos Espíritos, os Espíritos foram criados por Deus. A sua origem ainda nos é desconhecida. Sabemos apenas que foram criados simples e ignorantes, porém sujeitos ao progresso. A sua essência difere de tudo o que conhecemos por matéria. Nesse sentido dizemos que são imateriais.

O progresso atual é o resultado das experiências realizadas nos diversos reinos da natureza: mineral, vegetal e animal.

O Espírito se classifica em razão do desenvolvimento, das qualidades ou imperfeições que possuem. São de Três Ordens: 3.ª Ordem (Imperfeitos) — com orgulho, egoísmo, ódio; (impuros) — leviano, pseudo-sábios, neutros; (e perturbadores); 2.ª Ordem (bons) — benévolos, sábios, prudentes, superiores; 1.ª Ordem (puros) — sem nenhuma influência da matéria, com superioridade moral e intelectual ante os outros; não sujeitos a reencarnação, por serem perfeitos. (Kardec, 1995, p. 84 a 90)

4. SIMPLES E IGNORANTE

4.1. A ORIGEM DOS ESPÍRITOS

Por que nasci? Por que sofro? Por que a minha vida é tão estranha? Estas e outras questões muitas vezes esfogueiam o nosso pensamento. E, por mais que a Doutrina nos remeta aos estudos da reencarnação, ainda não nos satisfaz a vida que levamos. É que existem alguns mistérios que não deveríamos querer penetrar como, por exemplo, a origem de Deus e dos Espíritos.

Embora a origem dos Espíritos nos é infensa, os Espíritos superiores deram-nos um consolo, ou seja, disseram-nos que fomos criados simples e ignorantes. Isto corrobora com a imparcialidade da lei divina: todos partindo de um mesmo ponto, não haverá privilégios para ninguém. Se Deus tivesse criado o anjo, qual seria o mérito de tal conquista?

4.2. IGNORÂNCIA NÃO QUER DIZER MALDADE

O Espírito, ao ser criado simples e ignorante, é desprovido de conhecimento. Assemelha-se a uma tábula rasa, que deverá receber as impressões das suas experiências. Como não tem conhecimento, ele comete erros, mas não faz o mal, porque desconhece o que seja o mal. Contudo, para o seu progresso, ele deverá conhecer a Lei Divina, que está escrita na sua consciência. Assim, cometendo o erro, ele deverá sofrer as conseqüências da Lei, que o encaminhará para a sua trajetória evolutiva.

4.3. SIMPLES NÃO É SINÔNIMO DE SIMPLICIDADE

O simples aqui é concebido como o Espírito que foi criado sem nenhum conhecimento. A simplicidade do espírito pressupõe muito conhecimento, pois mostra o progresso moral alcançado.

Observe o quanto difícil é ser humilde nos dias que correm. O progresso material, impelindo-nos aos prazeres da carne, estimula-nos concomitantemente o nosso orgulho e a nossa vaidade, sentimentos opostos à simplicidade de coração. E nem sempre temos força necessária para afastarmo-nos desses gozos materiais.

5. PROGRESSÃO DOS ESPÍRITOS

Extraído das perguntas 114 a 127 de O Livro dos Espíritos.

5.1. O DETERMINISMO DIVINO VIGORA NAS CAMADAS INFERIORES

O Espírito, em suas primeiras encarnações, sendo ignorante, não tem capacidade de escolher o seu caminho na vida. Nesse mister, eles são auxiliados pelos operários de Deus, que os encaminham nas suas diversas experiências. É como um pai guiando o seu filho pequeno: carrega no colo, segura-o pela mão, ensina-lhe os primeiros passos etc.

5.2. DESENVOLVIMENTO DO LIVRE-ARBÍTRIO

Conforme for adquirindo conhecimento, vai tendo também maior responsabilidade pelos atos praticados. Se escolher o caminho do mal, deverá sofrer-lhe as conseqüências. A dor não é nada mais do que um ajuste necessário à compreensão da Lei de Deus. Quanto mais atos bons praticar mais aumenta o seu livre-arbítrio.

5.3. DETERMINISMO DIVINO NAS CAMADAS SUPERIORES

A evolução espiritual dá mais liberdade ao Espírito, mas essa liberdade não é absoluta. Ela está sujeita ao Determinismo divino. Observe que tanto num nível baixo de conhecimento como num nível mais alto caímos no Determinismo divino. E por que isso acontece? Porque temos de passar de um nível de completa inconsciência a um nível de completa consciência. Isso quer dizer que num nível mais evoluído de determinismo divino, o Espírito reencarnante começa a fazer a sua escolha de acordo a Lei de Deus. Quer dizer, ele não faz agravo à lei e não precisa sofrer os incômodos da correção.

6. PERFECTIBILIDADE

6.1. PERFECTIBILIDADE E NÃO PERFEIÇÃO

Deve-se preferir o termo perfectibilidade e não perfeição, porque perfeição significa acabado, completo. Em se tratando da evolução do Espírito, há um começo, porém o seu término está bem distante. Por isso há o provérbio que diz que sempre temos algo a aprender.

A perfectibilidade significa a capacidade de aprender sempre, e, cada vez mais, de forma efetiva e racional.

6.2. JESUS É O MODELO DE PERFEIÇÃO

Jesus foi o Espírito mais elevado que surgiu no Planeta. Os seus exemplos devem inspirar-nos as boas ações que podemos fazer ao próximo.

Lembremo-nos de alguns dos seus ensinamentos:

1) Que aproveita ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?

2) Se queres ser meu discípulo, toma a tua cruz e segue-me.

3) Amai os vossos inimigos; bendizei os que vos maldizem; fazei o bem aos que vos odeiam; orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. Que vantagem há em amardes os que vos amam?

4) Ao que pleitear contigo e quiser teu vestido, larga-lhe também a capa.

5) Se alguém te bater na face direita, ofereça-lhe a esquerda.

6.3. ESTUDO SILENCIOSO NO DESENVOLVIMENTO DO PENSAMENTO

Léon Denis, em O Problema do Ser, do Destino e da Dor, alerta-nos que é no silêncio que se elaboram as obras fortes. Ele diz: “A palavra é brilhante, mas degenera demasiadas vezes em conversas estéreis, às vezes maléficas; com isso, o pensamento se enfraquece e a alma esvazia-se. Ao passo que na meditação o Espírito se concentra, volta-se para o lado grave e solene das coisas... Evitemos as discussões ruidosas, as palavras vãs, as leituras frívolas. Sejamos sóbrios de jornais. A leitura dos jornais, fazendo-nos passar de um assunto ao outro, torna o espírito ainda mais instável... Apliquemo-nos a obras mais substanciais, a tudo o que pode esclarecer-nos a respeito das leis profundas da vida e facilitar nossa evolução. Pouco a pouco, ir-se-ão edificando em nós uma inteligência e uma consciência mais fortes, e nosso corpo fluídico iluminar-se-á com os reflexos de um pensamento elevado e puro”. (1995, p. 358 e 359)

7. CONCLUSÃO

Tenhamos uma vida voltada para a completa absorção das coisas espirituais. Este esforço próprio, iluminado pelo clarão divino, nos dará o verdadeiro discernimento para a progressão do nosso Espírito.




Por Sérgio Biagi Gregório


8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

DENIS, L. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. 18. ed., Rio de Janeiro: FEB, 1995.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.
Polis - Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado. Lisboa

sábado, 8 de dezembro de 2012

POR QUE O ESPÍRITO ENCARNADO NÃO LEMBRA DAS VIDAS ANTERIORES?




Quando reencarnamos, nosso cérebro carnal, reduzindo nossas impressões a zero, não permite que nós recordemos das reencarnações pregressas; guarda-as adormecidas nos refolhos de nossa memória espiritual que nô-las restituirá mais tarde, ao desencarnarmos.
Todavia, além das causas próprias da matéria, há poderosas razões de ordem moral que impossibilitam a recordação do passado; vejamos as principais:


♥ O remorso de crimes antigos

Assim como há pessoas que erram dolorosamente hoje, é provável que tenhamos cometido desatinos em nossas vidas passadas. E se nós nos lembrássemos, o arrependimento e o remorso voltariam a torturar-nos, não deixando nossa consciência livre para que nos apliquemos à correção dos erros e à reparação dos males que fizemos no pretérito longínquo.



♥ A presença de antigos desafetos

Há duas forças irresistíveis que atraem os espíritos: o amor, força positiva; e o ódio, força negativa.


O amor é força positiva, porque o amor constrói.

O ódio é força negativa, porque o ódio destrói.

O amor atrai os que se amam; o ódio, os que se odeiam.

O ódio precisa ser transformado em amor e doce fraternidade deve unir-se a todos. Para que isso aconteça, os desafetos do passado são colocados juntos na reencarnação presente, comumente na mesma família, unidos pelos laços consangüíneos, para reabilitarem-se e aprenderem a amar-se uns aos outros. Por conseguinte, se não fosse o esquecimento transitório que esparge a paz nos corações, os lares terrenos em sua grande maioria seriam ninhos abomináveis de ódios inextinguíveis.



♥ Situação presente inferior à passada

Em cada uma de nossas reencarnações, somos colocados em situações diferentes. E se a atual posição em que estamos, for inferior à da reencarnação passada, a lembrança da grandeza do passado, agora inatingível, ser-nos-ia um tormento constante.
Do mesmo modo, se hoje estivermos reencarnados num corpo torturado por moléstias incuráveis, ou deformado, ou defeituoso, ao recordarmo-nos de que já tivemos um corpo perfeito, nossa dor seria bem maior.



♥ Situação presente superior à do passado

Caso a nossa situação atual for superior à antiga, a lembrança do passado humilde em confronto com a grandeza do presente, daria ensejo a que o orgulho se apossasse de nós, comprometendo nossas realizações.



♥ Saudade de entes queridos

Nem sempre em nossas reencarnações estamos reunidos à nossos entes queridos do passado. Pode dar-se que reencarnemos em ambiente totalmente estranho, onde iremos conquistar novos amigos, novas afeições, entregando-nos à tarefa da redenção. Então a recordação de nossos entes querido, dos quais estamos afastados provisoriamente, faria chorar os nossos corações.



♥ Reincidência em vícios antigos

Outro grande inconveniente que a recordação do passado nos acarretaria, é o perigo de reincidirmos nos vícios antigos, continuando o nosso embrutecimento. Se no passado os vícios nos arruinaram e agora o esquecimento transitório possibilita nossa reabilitação, a lembrança das reencarnações mal aproveitadas dificultaria sobremaneira nossos esforços e os anularia em muitos casos.



♥ Rotina

Somos ainda rotineiros. Se nós lembrássemos de nossas reencarnações precedentes, seríamos levados a viver do mesmo modo hoje, como já o vivemos anteriormente. Nossa tendência seria continuar a viver do mesmo modo, sem procurarmos novos campos de ação. Estacionaríamos. Não progrediríamos a não ser mediante esforços sobre-humanos, dos quais a maioria das criaturas fugiria.



Pela ligeira análise que acima fizemos, ficamos compreendendo por que é necessário o esquecimento de nossas reencarnações anteriores. Porque as lembranças penosas e as angústias antigas viram juntar-se às dificuldades de hoje e, longe de abrandá-las, agravá-las-iam. Eis explicado, embora sucintamente, porque as lembranças do que fomos anteriormente não podem ser despertadas; caso o fossem, ansiedades inúteis amargurariam os dias que agora vivemos.

Na realidade, contudo, nós não nos esquecemos de nosso passado; ele jaz latente em nosso íntimo e volta à nossa lembrança em forma de pendores, inclinações, gostos, simpatias e aversões. Todos nós temos tendências e faculdades que quase equivalem a uma lembrança efetiva de nossas vidas pregressas. Bastaria que nós nos puséssemos a analisar nossa vida presente, traçando um quadro de nossas inclinações, de nosso íntimo modo de pensar, para termos uma idéia bastante aproximada do que fomos no pretérito, porque hoje somos o produto dele.

E assim o homem inteligente evita queixar-se; sabe que através de suas queixas e lamentações, uma pessoa analisadora e observadora facilmente lhe descobrirá o passado, pelo menos em linhas gerais.



Fonte: extraído do livro “O Espiritismo Aplicado”, de Eliseu Rigonatti – Editora Pensamento.

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